segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Hiatus

Então aqui estou eu, após um longo tempo que pode ser considerado um hiatus - Para quem desconhece, um termo de quem é viciado em séries (Moi).

Pouca coisa aconteceu desde o meu último post.
Ou talvez muitas coisas tenham acontecido e quando vi já tinha passado tanto tempo que eu nem me lembro mais o que pertencia ao antes e o que veio depois.

As vezes isso acontece quando reencontro velhos amigos.
Amigos que não vejo há muito tempo.
E cujas novidades já ficaram velhas, e portanto, quando eu pergunto
"What's up?"
Já tá tudo lá embaixo. Enterrado, esquecido.

Além disso minha memória não é das melhores.
Tenho sérias dificuldades para distinguir os dias que passaram.

E também tem outro fator: eu realmente faço questão de histórias bem contadas.
Detalhes.
Descrições beirando a neurose de um perfeccionista virginiano.
Preciso de uma descrição completa dos personagens, do contexto, da situação.
Quem foi? Como Foi? Não me satisfaz
Preciso saber os signos, o clima, pintar a imagem, a paisagem.

Tá. Não preciso realmente.
Mas gosto.

E tem as vezes em que até aconteceu algo realmente grande, importante.
Mas é pesado demais para ser recordado.
E o tempo passou.
E já não vale a pena desenterrar o fato.

Assim encontro velhos amigos e eles me perguntam: "E aí? Quais as novidades?"

E eu paro, penso em todos os fatores já mencionados e respondo: "Zero. Nada. Same Old."


E eles provavelmente pensam "que tédio."

Mas tudo bem.
Não posso dizer que discordo.
Às vezes eu penso isso também.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Amém!

Após minha primeira aula de boxe e a impossibilidade de esticar meu braço no dia seguinte, bem como a descoberta de um músculo nas costas quando movimento o braço direito, desenvolvi a seguinte teoria:

Deus quer que a gente seja gordo.

Primeiro Argumento: A reprodução.

Deus quer que a gente - os seres vivos - se reproduza.
Perpetuação da espécie ou o que for... Por isso ele fez com que o ato em si fosse prazeroso.
Porque se fosse uma coisa horrenda e absurdamente dolorosa - tipo tortura, ou uma ida ao dentista - as chances de que isso fosse feito com frequencia seriam tão grandes quanto... quanto uma ida ao dentista é. Provavelmente até menor.

Segundo Argumento: Comer, comer.

Porque comer é sempre prazeroso também...
Na verdade, para muitos, comer bem é uma das poucas coisas realmente boas da vida.
Principalmente as comidas mais calóricas e menos saudáveis.
Mas fazer ginástica... não só não é prazeroso, como dói.
Pra caralho.
Tipo quando você se queima, e dói pra caralho.
Sinal Divino.
Então toda essa dor que sinto agora é por ter desobedecido os desejos de Deus.
"Minha filha não faça isso"
E continuar me forçando a isso é tipo colocar a mão no fogo uma vez por semana pelo menos.
Posso até acabar no inferno.

Terceiro e último Argumento: A sabedoria do Pai.

Se Ele não quisesse que a gente comesse bem, não teria transformado água em vinho e multiplicado os pães...
Ele teria simplesmente substituído os carboidratos por uma saladinha light de alcelgas e cortado a água porque, aparentemente, beber durante as refeições "dá barriguinha";


Logo, esse papo de saúde e músculos é coisa dos homens.
Armadilha de Satanás.
SE atividades físicas fossem para o bem da humanidade... nós teríamos orgasmos após uma sessão de exercícios e não a impressão de termos sido atropelados por uma jamanta desgovernada.

Conclusão?
Ginástica é para os homens de pouca fé.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quem não tem medo

Quem não tem medo de acordar e perceber que sua vida nem começou, ou que pior, já está acabando?
Perceber que os sonhos ficaram aonde estavam - sendo apenas sonhos
e que nada de significativo que foi feito no mundo leva seu nome
Perceber que as histórias que contamos não tem assim tanta graça como achávamos
E que as pessoas das quais lembramos estão agora tão longes... vivendo o presente, enquanto você vive o passado.
Quem não tem medo de arriscar e perder o pouco que tem?
E de perceber que na vida, arriscou pouco e perdeu muito mais por isso.
Perder ou Ganhar
Talvez não no mesmo jogo que os outros jogam, mas naquele ao qual você se propôs a jogar.
Aquela corrida cuja a linha final não é a de chegada, mas a de saída.
O persistir em algo que fuja ao convencional e se depare com o idealizado.
Persistir nos sonhos.
Persistir na vida.
Porque a inércia cria a ilusão de movimento.
Mas não chegar a algum lugar específico as vezes é a mesma coisa do que chegar em lugar nenhum, do que não sair do lugar.
Porque apenas competir pode até contar, mas não te realiza.

E não te faz sentir vivo.

Não te faz sentir nada.




Quem não tem medo de acordar
e perceber que já está morto?




quinta-feira, 2 de julho de 2009

old enough

tem essa música do grupo The Raconteurs

que não é meu estilo
mas que eu gosto demais

"You look pretty in your fancy dress
But I detect unhappiness
You never speak so I have to guess
You’re not free. (...)

(...) When I was young I thought I knew
You probably think you know too
Do you? Well do you?
I was naïve just like you
I thought I knew exactly what I wanted to do
Well, what’s you gonna do?

And how have you gotten by so far
Without having a visible scar?
No one knows who you really are
They can’t see"


cicatrizes e máscaras
aquilo que se cala
mas que consiste em ser
humano,
alguém.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

gosto de vida

as vezes a gente gosta

acorda assim
sem mais nem menos
gostando do que vê
do que faz
amando mais as pessoas que já sabíamos que amávamos mas que por ora ou ocasião não bem recordávamos
não odiando ninguém - sentindo pena talvez
acordamos sublimes
querendo conversar com estranhos na rua
querendo rir de piadas que ainda não contamos ou que ainda não ouvimos
querendo enxugar as lágrimas de quem vemos sofrer

as vezes o trabalho que você tem é bom
as vezes a familia que você tem a melhor
as vezes a pessoa que você ama é a sua alma gêmea

as vezes a vida é boa.

e as vezes pode ser que isso não dure muito.
aproveite o sonho antes de acordar.
aproveite o gosto da vida quando ela é doce.
porque as vezes ela pode amargar.
e é bom você poder lembrar do que foi doce um dia.
pra poder esperar.
pra poder se inspirar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

essência

O que faz um personagem senão a sua essência?
O que somos todos, senão personagens inventados
por nós
pelos outros
pelo mundo
a ficção dentro do real
a fixação dentro de nós mesmos

O que faz a nossa essência?

Que me faz a mesma apesar de todas as metamorfoses.
Que identifica a lagarta dentro da borboleta
A pele sob a pele
O que mantem acesa a vela

O que faz com que eu me reconheça

Minha impressão digital de alma

Quem eu sou, ou acredito ser
Quem eu queria ser
Quem eu quizera fosse

O que me faz senão tudo o que eu penso
e tudo o que eu calo

As palavras que nascem no peito
e morrem na fala

Os erros que superam os acertos
As risadas, as máscaras
a impaciência que consome por dentro
a acertividade
o desarranjo

as peças que não se encaixam
que não se acham
e perdidas deixam o vão
o vazio no espaço

os arrependimentos
tudo o que eu disse sem pensar
tudo o que eu pensei e nunca disse
até que fosse tarde demais
até que já não existisse volta

o orgulho
o escudo que protege
a lança que fere

o humor
o escudo que protege
a lança que fere

o que sou eu senão as minhas palavras
nos olhos de quem lê
na boca de quem fala

o que sou eu senão as lembranças
na saudade de alguém
na memória de ninguém

o que sou eu senão o nada
mais um na multidão que vaga

o que sou seu senão a minha essência
o desejo de ser
de existir
de me consumir e explodir eternamente
de ter um sentido
de fazer sentido

o que sou eu senão eu mesma
e se nem eu sei
como poderiam os outros

quarta-feira, 13 de maio de 2009

tolerância

Como água no deserto
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo

O seu código de guerra
E a certeza que te cerca
Me fazem ficar atento

Não me importa a sua crença
Eu quero a diferença
Que me faz te olhar
De frente

Pra falar de tolerância
E acabar com essa distância
Entre nós dois

Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar

Como lava no oceano
Um esforço sobre-humano
Pra recomeçar
Do zero
Se pareço ainda estranho
Se não sou do seu rebanho
E ainda assim
Te quero

É que o amor é soberano
E supera todo engano
Sem jamais perder
O elo

E é por isso que te espero
E já sinto a mesma coisa em seu olhar
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar

tolerância - ana carolina

faço as palavras dela, minhas.