quinta-feira, 1 de março de 2012
Palavras suas, palavras minhas
Ou uma definição pra um sentimento que você não soube dar nome. Sabia que estava ali, guardado, mas não o que era ou a que veio.
Escapava-lhe o termo certo, nascido de clareza e coragem, coisas que as vezes estão em falta dentro de nós.
E de repente aquilo não é só seu.
O que pode ser um peso, mas também pode ser leveza.
Lugares em que mais alguém pisou.
Pegadas que afugentam o vazio.
A evidência definitiva de que você não está só. Em tudo de bom e ruim que isso pode significar.
Tudo porque alguém no mundo fez o favor de lhe escrever uma carta sem saber que era você o destinatário.
Quanto mais eu leio, mais tenho vontade ler. Uma sede insáciavel por palavras, significados. Mas mais do que tudo, por reconhecimento.
De tudo aquilo que já sei e de coisas que eu não sabia. Não sei ainda.
Sobre o mundo e sobre os outros.
Sobretudo, sobre mim.
Tantas que nem sei.
Tantas que eu nunca vou saber.
Eu lamento pelas palavras que se perderam.
Mas fico feliz pelas que encontrei.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Mas o que é isso companheiro?
Como identificar QRSE
Você provavelmente já passou por isso e nem percebeu que estava acontecendo. Ou pelo menos não sabia que tinha um nome. Algumas pessoas chamam de imaturidade, outras tentam criar desculpas com fundamentação freudiana, lacaniana ou edipiana. Algumas pessoas nem ligam, outras fingem que não ligam. Algumas abandonam completamente as aspirações sociais e se juntam à ordens religiosas de práticas celibatárias. Eventualmente todas acabam tendo seu coração partido, mais cedo ou mais tarde.
Acontece quando você menos espera. Tá tudo muito bom, tudo muito bem, todo mundo se curtindo, todo mundo feliz. Se fossemos cachorros esse momento seria o equivalente aquele primeiro encontro onde cada um cheira o traseiro do outro e se dá por satisfeito sem maiores estranhamentos. Ocasionalmente pode até rolar umas fungadas, alguns gemidos e marcação de território pela saliva, o que implica em sucesso desse primeiro encontro (Toda e qualquer semelhança com a interação entre humanos não vem ao caso nesse momento). Meu ponto é: são em ocasiões como essa, as em que menos se espera, que um deslize, por menor que seja traz resultados desastrosos. É a manifestação de QRSE e na maioria dos casos ela não foi prevista pela equipe de previsão metereológica.
Você se pergunta o que deu errado. Foi alguma coisa que você fez? Algo que você disse? Uma ofensa acidental, uma gafe?
A resposta é sim, para todas as alternativas.
Mas isso não quer dizer que a culpa seja inteiramente sua. Pelo contrário, essa síndrome apresenta reações muito parecidas com a síndrome de Estocolmo, no qual as vítimas estabelecem vínculos emocionais com os responsáveis por seu ataque, chegando ao ponto de defendê-los e desculpar suas ações.
Nesse caso você também é a vítima.
O seu maior erro aqui, foi ter expressado de forma compreensível e, possivelmente, direta a sua apreciação pelo outro.
Parece algo natural e inofensivo. Se você gosta de alguém, por que esse alguém não pode saber? Que tipo de relação é essa em que você não pode demonstrar o mínimo de afeto ou consideração? Por que tem que ser um jogo e o principal, quem inventou as regras?
Perguntas válidas e relevantes e para as quais, assim como você, não tenho a resposta.
O fato é que em algum momento das nossas vidas os sinais se inverteram e demonstrar apreciação passou a significar "se desvalorizar", ao menos no dicionário deles. Algo que ainda é permitido quando a relação é amizade (ainda que alguns indivíduos com um grau mais agudo da síndrome apresentem sintomas nesses casos também), mas que em um relacionamento com o grau mínimo de interesse sexual equivale a uma declaração assinada de hanseníase emocional.
Um dos problemas dessa síndrome é que algumas pessoas receberam o memorando informativo e outras não. As que não receberam acabam aprendendo na prática, mas não sem cicatrizes. E eventualmente, em especial quando marcadas muitas vezes, elas passam a carregar traços do mesmo mal. A verdade é que se a maioria dos homens sofre dessa síndrome, atualmente, mas cada vez mais mulheres também. É uma epidemia que já ultrapassou as barreiras de idade, gênero ou orientação sexual.
Talvez isso explique o alastramento da "Babaquice Emocional" na sociedade moderna. E a forma como isso vem afetando a dinâmica das relações, nas quais cada vez mais as pessoas tem que se mostrar menos. Um jogo em que você enfrenta oponente após oponente e que só termina quando uma das partes é vencida. Ou se você joga a toalha e decide ficar sozinho.
O que os jogadores não percebem é que nessa disputa, quem ganha é quem perde. Ser um bom jogador consiste essencialmente em não expor suas vulnerabilidades E se manter por cima. Mesmo que isso signifique passar por cima dos próprios sentimentos caso sejam recíprocos. Aliás, principalmente nesses casos. Porque quando o outro jogador sente o mesmo, então o nível de vulnerabilidade é maior e por isso seus ataques tem que ser mais certeiros para garantir a sua defesa que é entendida como uma possível "vitória".
Um dos problemas dessas práticas é o alto grau de risco. Existe sempre a possibilidade que a outra parte envolvida seja um mau perdedor, ou que simplesmente não saiba as regras. E quando a outra parte não sabe o que está acontecendo ou quando simplesmente se cansa de lutar, você pode sequer culpá-la?
Nesse jogo a solidão é seu seu fiel escudeiro. E somos todos peões.
Se você tem um coração, você está sujeito a ter ele partido e é nesse ambiente que a babaquice emocional prolifera. A síndrome "Que Rei Sou Eu" é apenas mais um dos sintomas.
Brincadeiras à parte, sejamos sinceros? (Coincidentemente - ou não - essa é uma das frases que gatilham o surto da síndrome QRSE)
Eu, pessoalmente, detesto esse jogo. Com todas as forças do meu ser. Só de pensar em ter que entrar nessa dança pra encontrar um par minha reação instintiva é a de correr sem olhar para trás, mesmo que isso signifique passar o resto dos meus dias no equivalente à Sibéria das relações interpessoais.
Por que a gente não pode ser sincero a respeito dos nossos sentimentos? Não tô falando em fazer juras de amor após cinco minutos de convivência. Pelo contrário, cada vez mais eu acredito que a primeira fase, o comecinho de uma relação estabelecida entre duas pessoas, tem que ser saboreado sem pressa e sem pressão. Só duas pessoas curtindo a companhia uma da outra. Não existe a menor necessidade de declarações de amor nesse momento, mas poxa vida, se você pode curtir até no facebook, por que não pode curtir alguém assumidamente na vida real?
Admitidamente a fase de flerte, que também se baseia em jogos, é muito gostosa. Particularmente eu gosto muito - uma vez que consigo identificar que está acontecendo - principalmente pela oportunidade de usar minha espirituosidade aparentemente inútil de um jeito engenhoso e surpreender no caminho. Falo isso pensando em retrospectiva, nos meus relacionamentos anteriores, e posso dizer com certeza que esses foram os momentos em que eu mais me diverti. Mas existe uma diferença entre brincar com meia dúzia de palavras e brincar com o coração dos outros. E ter que ficar cuidando se você está ou não pisando em ovos, faz perder a graça. Principalmente quando os ovos são os testículos alheios.
Eu sinto muito se a outra parte não tem "bolas" suficiente para lidar com os próprios sentimentos ou sentimentos alheios. Sejam essas bolas físicas ou metafóricas. A questão é, todos estamos sujeitos à "Babaquice Emocional" e seus derivados. Mas a única forma de superar essas inclinações é enfrentando de frente o problema. Sem criar desculpas, sem se esconder atrás das ações dos outros. E reconhecer o problema é o primeiro passo.
Se você está sofrendo de "Babaquice Emocional" ou acredita estar apresentando sinais de "QRSE", a cura é um caminho lento e o apoio de seus amigos e familiares vai ser muito importante nesse momento - se é que sobrou algum te aguentando. Um dia de cada vez e menos babaquice cada dia. Assuma responsabilidade pelos seus atos. E principalmente, assuma quando você dá ou não conta de seus sentimentos. Se não por você, faça pelo outro.
Agora se você foi vítima da babaquice emocional alheia, ou teve um contato de primeiro grau com "QRSE" e teme seu alto teor de contágio, existe um manual prático para pessoas como você.
Pergunte-me como.
Vim colher abobrinhas, mas só tinha jiló
Humor e cafeína.
Assim estou me propondo escrever sobre coisas mais leves e descompromissadas. Ou ao menos sob uma perspectiva mais leve e descompromissada. Chega de lamúrias, adieu tristeza.
Duvido que alguém vá sentir falta.
Eu é que não vou.
E que venham as abobrinhas.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Queria respostas, mas só tinham perguntas
Como você sabe que não se trata de uma armadilha da sua cabeça, ou do seu coração?
Eu penso e penso, tentando achar os 7 erros.
Mas é tão dificil enxergar a diferença.
Como você sabe que gosta da pessoa pelo que ela é e não por não querer estar mais sozinho?
Não é medo da solidão, é cansaço.
É vazio.
É falta. É frio.
E a pessoa está ali, diante de você.
Segurando um buquê de promessas e uma caixa de possibilidades.
E parece tão simples.
Simples demais.
Como eu sei que me apaixonei por quem ela é e não pela versão que criei em minhas fantasias?
Será que ela sequer existe?
Como você sabe que o sentimento de que algo não está certo, ou de que algo está faltando, se deve ao seu medo de arriscar e perder e não a natureza real do sentimento em si?
Até que ponto é medo?
E quando vira bom senso?
E qual é a diferença?
Como você sabe quem é o mocinho e quem é o bandido, quando o mocinho é cego e egoísta e o bandido é covarde e cheio de motivos para ser o que é?
(O mocinho é o coração, o bandido é a razão).
Eu penso e penso
e penso
e talvez esse seja o problema
Escuto você me dizendo que eu penso demais
Se deixe levar, se deixe sentir...
Mas eu não me deixo.
Eu não sei nadar e tenho medo de me afogar.
Mais do que isso, temo arrastar o outro para as profundezas junto comigo.
Descaso com o meu coração talvez eu fosse capaz de suportar.
Na teoria, mais do que na prática, reconheço.
Ainda assim,
uma das verdades é que eu sobreviveria a ter meu coração partido.
Como mais um capítulo na vida eu apenas recolheria os pedaços e seguiria em frente
Me distrairia com músicas, contos, palavras e versos.
Colocaria um band-aid e deixaria as lágrimas secarem ao vento.
Mas como você faz quando você se importa mais com o coração do outro do que com o seu?
Quando a possibilidade de se ver em pedaços é quase mais um fato da vida.
Mas a idéia de ser responsável por quebrar o outro é mais do que se pode suportar.
É o suficiente para que você não ouse arriscar.
Ou seria essa mais uma desculpa?
O que isso diz sobre o que você sente?
Quem fala mais alto?
E quem o silêncio esconde?
Aquilo que você não ousa admitir sequer em pensamentos.
O que isso diz sobre mim?
E o que quer dizer?
Dizem que quando você sente, quando é de verdade, você sabe.
Como você sabe?
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Bastardo Inglório
O mais perigoso ilusionista.
Ele te leva pela mão, te guia em uma dança e te mantém refém. Às vezes por um longo período, às vezes por toda a vida.
O tempo tem várias caras. Tem quem acredite que ele cura. Tem quem diga que ele ajuda a esquecer. Tem quem peça que se dê tempo ao tempo. Tem quem lute contra ele. E quem vive preso a ele. Tem quem se perde nele sem se dar conta, como em um labirinto sem qualquer sinal de saída, apenas caminhos iguais, caminhos sem fim. Tem quem vai e nunca volta, incapaz de retornar, mesmo com as migalhas de pão.
O tempo se faz de aliado. É o lugar onde você enterra lembranças. As mais tenebrosas e obscuras ele se oferece para guardar sem nada receber em troca. O que é suficiente para levantar suspeitas, mas mesmo assim, tem quem não perceba o ato. Assim ele se encarrega de suas memórias, todas elas, boas e ruins. Ele se torna seu guardião. Mas o tempo não é confiável. Aos seus cuidados nossas memórias se perdem, se desencontram, se despedaçam.
Particularmente me preocupa essa sua habilidade. Essa capacidade de se infiltrar em sua história e borrar tudo o que foi vivido. Apagar o que foi ruim, criando a ilusão de que tudo era muito melhor do que foi realmente. Essa ilusão é um abismo que não se desfaz, apenas aumenta, alimentando um monstro de três cabeças (Nostalgia, Fantasia e Saudade). De repente quem morreu virou santo enquanto "amores serão sempre amáveis".
O tempo finge estar ao seu lado, mas mesmo quando ele dá, ele tira. Tira-lhe os anos, a juventude, a inocência. Às vezes até mesmo o sono.
Às vezes até mesmo os sonhos.
É quase engraçada a relação que temos com o tempo. Como somos gratos quando sobra qualquer pouco que seja. Como a sua ausência aumenta a nossa ansiedade. Como com o passar dos anos nos tornamos mais e mais dependentes de cada minuto seu. Como de repente, e não tão de repente, ele se torna o senhor de sua vida e você o seu refém. Tem quem diga que isso faz parte do processo que é crescer. A mim parece mais Síndrome de Estocolmo.
Mas pra que perder meu tempo falando sobre o tempo?
Ah sim, essa noite ele me visitou com quimeras em lugar de lembranças. Franksteins criados a partir de versões do que eu vivi, com apenas pedaços da realidade. É uma criação tão primorosa, feita a partir de você e para você, que resistir quase não parece uma opção.
O tempo é especialmente perigoso quando se está sozinho. Ele seduz e sussurra ao pé do seu ouvido suas próprias verdades sem ter quem desminta. Sua única companhia, disposta a vencer pelo cansaço, se aproveitando de cada uma de suas fraquezas. Se aproveitando de todas elas, um arsenal que você mesmo colocou à sua disposição quando lhe entregou suas histórias.
Essa noite o tempo me mostrou gigantes, mas eu ainda fui capaz de reconhecer os moinhos.
Me pergunto o que será de nós quando eu me render. Será a perdição ou o inevitável? Será que irei ao menos lembrar ou o tempo vai se encarregar de me fazer esquecer mais essa derrota?
Só o tempo dirá.
De todo ele não é tão mau porque não tripudia. Mas também qual mérito existe em uma batalha que já começou vencida?
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Muro de Lamentações
Estúpidas são as pessoas que acham que seu coração é mais duro do que o das outras pessoas.
Estúpidas e cegas elas são. (Talvez a cegueira seja sintoma da estupidez mas isso não vem ao caso, não agora);
Você sente falta das coisas que nunca achou que sentiria falta.
De ir no supermercado e encontrar, sem ter que procurar, seu tempero favorito.
Do som tão familiar aos seus ouvidos que é o seu próprio idioma. Simples e sem qualquer esforço.
Dos verbos que escorrem pela sua lingua sem complicação. (Essa perda é especialmente sentida por quem está acostumado a falar sem pensar. Eu saberia.)
Da certeza de ser você sem o medo do excesso. Algo com o que ainda não me acostumei.
Você sente falta das pessoas. Não necessariamente das conversas ou opiniões, mas da simples presença. De ter ao seu alcance.
Dá saudade - e de repente o brasileiro ter essa palavra em seu dicionário nunca fez tanto sentido. Essa palavra foi feita pra quem sente demais.
Dá saudade de se sentir em casa.
Existe aqui, nesse universo estrangeiro - um deslocamento constante. Como se você fosse uma peça quadrada querendo ser redonda, mas sempre sobrando nos cantos.
É solitário e as horas não ajudam, distanciando ainda mais quem já está longe.
Mas não é tudo um lamento sem consolo.
Existem as possibilidades pra te fazer companhia.
Mas elas são tantas e tão barulhentas que o coração fica meio tumultuado e a cabeça então nem se fala. É muita pressão. Pra que a viagem seja tudo aquilo que pode ser ou que você esperou que fosse. Pra que você seja tudo aquilo que pode ser ou que esperou que fosse.
"Ainda é cedo", eu escuto você dizer e já não sei se você é você mesmo ou um pedaço de mim inventando desculpas.
Ainda é cedo e ainda tem tanto por vir. E essa parte definitivamente não é um lamento.
Não se deixe enganar, em mim não mora o arrependimento. (ele sequer me visita)
Se tem alguma coisa que foi certa, foi a escolha de um lugar tão lindo que enche os olhos.
Aqui as pessoas, mesmo meros estranhos, tem sempre um sorriso pra você ainda que ele só resvale a superficie.
E quando você já esqueceu o som da sua voz, tem o mar. E os dedos se enfiando na areia quente. E as tardes de Sol, suas velhas conhecidas.
Tem tudo o que enche os olhos.
E não tem jeito de achar que tudo isso não é certo.
Por que como algo tão belo pode ser qualquer outra coisa?
Se você se sente assim, muito sozinho mesmo, então é só colocar uma música. E deixa a vista te embalar enquanto chico, elis ou tom te dão colo.
O dia aqui dura tanto. Te dando todo o tempo do mundo pra se desfazer das tristezas. Fica parecendo que até o Sol é solidário.
Deixa ele te acolher.
Dá uma chance, eu me digo.
Tô chegando lá.
Essa é uma carta pra todos que me perguntam como eu vou. E eu conto. Sem querer mascarar o que não é bonito.
Conto pra quem quiser ler.
Coloco pra fora, pra não guardar aqui dentro.
Existe uma história sendo escrita aqui. E se ela existe é, não apenas porque tem quem escreva, mas porque tem quem leia.
Minha sinceras desculpas pela falta de um final feliz.
Ainda é cedo demais pra um final.
Qualquer que seja.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Diário de Bordo
Luz. Câmera. Ação!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
stardust
And now the purple dusk of twilight time
Steals across the meadows of my heart
High up in the sky the little stars climb
Always reminding me that we’re apart
You wander down the lane and far away
Leaving me a song that will not die
Love is now the stardust of yesterday
The music of the years gone by
Sometimes I wonder why I spend
The lonely night dreaming of a song
The melody haunts my reverie
And I am once again with you
When our love was new
And each kiss an inspiration
But that was long ago
Now my consolation
Is in the stardust of a song
Beside a garden wall
When stars are bright
You are in my arms
The nightingale tells his fairy tale
A paradise where roses bloom
Though I dream in vain
In my heart it will remain
My stardust melody
The memory of love’s refrain
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Em um piscar de olhos
E eu jurava que tinha escrito qualquer coisa ontem.
Mas ontem era 2009.
É engraçado como, às vezes, uma semana demora um século.
E um ano passa correndo, voando,
antes de ser vivido
antes de sequer ser notado.
Talvez não seja tão engraçado.
Talvez o riso seja nervoso.
Eu me pergunto se quando for dormir um dia desses
irei acordar e será tarde demais.
Tarde demais para ter feito as coisas que sempre sonhei para o meu futuro.
Mas por que se preocupar com amanhã quando ainda não fiz as coisas que eram para ontem?
Existe um motivo para vivermos no presente. E um motivo ainda maior para que ele não dure para sempre.
Enquanto houver o amanhã existe algo pelo que ansiar.
E temer.
Só espero perceber antes que o amanhã desapareça.
Antes que o amanhã seja uma mera lembrança.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Killing you softly
Eu matava alguém.
Okay, incomum para mim.
E a sua singularidade mora mais no fato de eu estar adormecida - considerando que, quando acordada, não se passa um dia sem que eu tenha volta de matar muitos zés e marias que cruzam descuidadamente o meu caminho.
Incomum porque matar não era difícil, não era um peso.
Era leveza.
Era liberdade.
Era não ter mais medo.
Nenhum homem pode entender os temores de uma mulher, - e eu não estou falando de ratazanas, baratas ou ficar pra titia - medos que não são deles e que curiosamente também não são meus.
É o medo proporcionado pela consciência de sua própria vulnerabilidade. Porque muitos homens passam a vida ignorando sua humanidade. Mas poucas mulheres fazem isso.
É o medo que faz a gente encolher quando passa por um grupo de rapazes no meio da noite em uma rua mal iluminada. Que faz respirarmos aliviadas quando finalmente cruzamos a esquina ou entramos no ônibus que nos levará para casa.
É o medo que incita a passividade ante a violência gratuita de uma degradação verbal e pública. O medo que se forma em máscaras sobre nossos rostos.
Mas eu não estou aqui para falar de medo.
Até porque, esse medo não existia mais no meu sonho.
Porque não existia mais a possibilidade de eu ser transformada em vítima apenas.
Não. Ali eu tomara as rédeas. Eu havia me tornado a ameaça.
E já não haviam mais barreiras.
De repente o mundo estava aberto, novo, irreconhecível.
O mundo era um lugar tão meu quanto de qualquer outra pessoa.
E eu podia andar de cabeça erguida, e isso se devia a um direito factual e não apenas suposto, idealizado, convencionado.
Agora veja bem, eu não sou uma pessoa violenta (conhecidos podem discordar, mas quando questionados poucos poderão lembrar de algum gesto violento meu - sob essa lente excluo o testemunho de meus irmãos).
Eu vivo pelas regras. Obedeço aos mandamentos com muito mais fidelidade do que muitos católicos (e nem batizada eu fui). Também vivo pelos meus próprios mandamentos que embora nem sempre sejam politicamente corretos (Who cares? Eu não estou angariando votos) também não justificam atos inomináveis.
Eu acredito em karma.
Então permitam-se extravasar o assombro que me proporcionou este sonho como uma realização de meu subconsciente.
Eu havia matado alguém.
Alguém que não era inocente - mesmo eu sempre tão insensível não tenho sangue-frio afinal de contas.
Alguém cuja ação prévia fizera com que (mentalmente) meus atos fossem justificados.
Mas principalmente, alguém que mais do que uma vítima minha (o poder contido nessa palavra ainda reverbera) fora capaz de destituir todo o sentido construído para que eu nunca tivesse cruzado essa linha.
Esse sonho me provocou assombro.
Eu sou uma pessoa de valores.
Eu me amarro a eles.
E me deixa intrigada de uma forma temerosa e desafiadora a possibilidade de que nada seja assim tão composto de certeza. Nem mesmo as minhas próprias certezas.
Eu posso ser ingênua por sequer acreditar nessas certezas. Mas se eu não for (ingênua), talvez eu não seja apenas mais uma possível vítima. Talvez eu venha a integrar o outro lado.
Meu medo não provém das fragilidades femininas (somente), mas da suscetibilidade humana.
Incrível o efeito que apenas um sonho foi capaz de provocar em mim.
Não foi sequer próximo de ser real.
Eu ainda me atenho a meus valores! (Um exclamação alivia a consciência nessas horas)
Talvez agora com mais força até, tendo em vista a suposta fragilidade da linha que não devo cruzar.
"Não assassinarás"
E talvez eu esteja exagerando.
Talvez eu ainda esteja impressionada
com Dexter ou Precisamos falar sobre Kevin
ou comigo mesma.
Mas prefiro o assombro à indiferença.
E é absolutamente impreterível que essa reação exista, permaneça.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Recharge
Coisas que acho bonitas
Das quais acho graça
Mas o mundo hoje está coberto de cinza - no sentido literal e des-figurado
e eu não sinto nada
nenhuma alegria para dividir
apenas um vazio
Não pela perda daqueles que se foram (somente)
e de quem eu nem era tão próxima assim (ainda sinto)
mas pelo espaço que deixaram (lamento)
apenas um vazio
Sinto o desperdício de vida
de talento
de possibilidades
sinto outras perdas novamente
porque toda perda é eterna
irrevogável e eterna
e é essa a razão do meu luto
Eu queria me desligar do mundo
ser egoísta - em último grau
assumir meu posto final
um muro impermeável
no qual a tinta pichada escorre
esbarra apenas
sem deixar marcas que a chuva não lave
Queria ser o personagem de uma das minhas histórias inacabadas,
com um mundo de possibilidades pela frente
e o conforto de uma borracha
apagando os erros de trechos que não deveriam ter sido escritos
Mas queria principalmente desabafar
Para seguir em frente
Seguir sempre
--Suspiro--
Cansada eu também fico
Mas não ouso desistir
É mais forte do que eu
Sou mais fraca do que isso
Minha bateria não morre (embora as vezes falhe, como hoje)
Estou pronta para recharge
=-
= =-
= = = -
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Insight
hum.
Eram dois possíveis tópicos.
E no final, não saiu nenhum.
E eu acabei falando sobre nada, mais uma vez.
Falar sobre nada é mais fácil do que falar sobre tudo.
Seinfeld/
Hiatus
Pouca coisa aconteceu desde o meu último post.
Ou talvez muitas coisas tenham acontecido e quando vi já tinha passado tanto tempo que eu nem me lembro mais o que pertencia ao antes e o que veio depois.
As vezes isso acontece quando reencontro velhos amigos.
Amigos que não vejo há muito tempo.
E cujas novidades já ficaram velhas, e portanto, quando eu pergunto
"What's up?"
Já tá tudo lá embaixo. Enterrado, esquecido.
Além disso minha memória não é das melhores.
Tenho sérias dificuldades para distinguir os dias que passaram.
E também tem outro fator: eu realmente faço questão de histórias bem contadas.
Detalhes.
Descrições beirando a neurose de um perfeccionista virginiano.
Preciso de uma descrição completa dos personagens, do contexto, da situação.
Quem foi? Como Foi? Não me satisfaz
Preciso saber os signos, o clima, pintar a imagem, a paisagem.
Tá. Não preciso realmente.
Mas gosto.
E tem as vezes em que até aconteceu algo realmente grande, importante.
Mas é pesado demais para ser recordado.
E o tempo passou.
E já não vale a pena desenterrar o fato.
Assim encontro velhos amigos e eles me perguntam: "E aí? Quais as novidades?"
E eu paro, penso em todos os fatores já mencionados e respondo: "Zero. Nada. Same Old."
E eles provavelmente pensam "que tédio."
Mas tudo bem.
Não posso dizer que discordo.
Às vezes eu penso isso também.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Amém!
Deus quer que a gente seja gordo.
Primeiro Argumento: A reprodução.
Deus quer que a gente - os seres vivos - se reproduza.
Perpetuação da espécie ou o que for... Por isso ele fez com que o ato em si fosse prazeroso.
Porque se fosse uma coisa horrenda e absurdamente dolorosa - tipo tortura, ou uma ida ao dentista - as chances de que isso fosse feito com frequencia seriam tão grandes quanto... quanto uma ida ao dentista é. Provavelmente até menor.
Segundo Argumento: Comer, comer.
Porque comer é sempre prazeroso também...
Na verdade, para muitos, comer bem é uma das poucas coisas realmente boas da vida.
Principalmente as comidas mais calóricas e menos saudáveis.
Mas fazer ginástica... não só não é prazeroso, como dói.
Pra caralho.
Tipo quando você se queima, e dói pra caralho.
Sinal Divino.
Então toda essa dor que sinto agora é por ter desobedecido os desejos de Deus.
"Minha filha não faça isso"
E continuar me forçando a isso é tipo colocar a mão no fogo uma vez por semana pelo menos.
Posso até acabar no inferno.
Terceiro e último Argumento: A sabedoria do Pai.
Se Ele não quisesse que a gente comesse bem, não teria transformado água em vinho e multiplicado os pães...
Ele teria simplesmente substituído os carboidratos por uma saladinha light de alcelgas e cortado a água porque, aparentemente, beber durante as refeições "dá barriguinha";
Logo, esse papo de saúde e músculos é coisa dos homens.
Armadilha de Satanás.
SE atividades físicas fossem para o bem da humanidade... nós teríamos orgasmos após uma sessão de exercícios e não a impressão de termos sido atropelados por uma jamanta desgovernada.
Conclusão?
Ginástica é para os homens de pouca fé.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quem não tem medo
Perceber que os sonhos ficaram aonde estavam - sendo apenas sonhos
e que nada de significativo que foi feito no mundo leva seu nome
Perceber que as histórias que contamos não tem assim tanta graça como achávamos
E que as pessoas das quais lembramos estão agora tão longes... vivendo o presente, enquanto você vive o passado.
Quem não tem medo de arriscar e perder o pouco que tem?
E de perceber que na vida, arriscou pouco e perdeu muito mais por isso.
Perder ou Ganhar
Talvez não no mesmo jogo que os outros jogam, mas naquele ao qual você se propôs a jogar.
Aquela corrida cuja a linha final não é a de chegada, mas a de saída.
O persistir em algo que fuja ao convencional e se depare com o idealizado.
Persistir nos sonhos.
Persistir na vida.
Porque a inércia cria a ilusão de movimento.
Mas não chegar a algum lugar específico as vezes é a mesma coisa do que chegar em lugar nenhum, do que não sair do lugar.
Porque apenas competir pode até contar, mas não te realiza.
E não te faz sentir vivo.
Não te faz sentir nada.
Quem não tem medo de acordar
e perceber que já está morto?
quinta-feira, 2 de julho de 2009
old enough
que não é meu estilo
mas que eu gosto demais
"You look pretty in your fancy dress
But I detect unhappiness
You never speak so I have to guess
You’re not free. (...)
(...) When I was young I thought I knew
You probably think you know too
Do you? Well do you?
I was naïve just like you
I thought I knew exactly what I wanted to do
Well, what’s you gonna do?
And how have you gotten by so far
Without having a visible scar?
No one knows who you really are
They can’t see"
cicatrizes e máscaras
aquilo que se cala
mas que consiste em ser
humano,
alguém.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
gosto de vida
acorda assim
sem mais nem menos
gostando do que vê
do que faz
amando mais as pessoas que já sabíamos que amávamos mas que por ora ou ocasião não bem recordávamos
não odiando ninguém - sentindo pena talvez
acordamos sublimes
querendo conversar com estranhos na rua
querendo rir de piadas que ainda não contamos ou que ainda não ouvimos
querendo enxugar as lágrimas de quem vemos sofrer
as vezes o trabalho que você tem é bom
as vezes a familia que você tem a melhor
as vezes a pessoa que você ama é a sua alma gêmea
as vezes a vida é boa.
e as vezes pode ser que isso não dure muito.
aproveite o sonho antes de acordar.
aproveite o gosto da vida quando ela é doce.
porque as vezes ela pode amargar.
e é bom você poder lembrar do que foi doce um dia.
pra poder esperar.
pra poder se inspirar.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
essência
O que somos todos, senão personagens inventados
por nós
pelos outros
pelo mundo
a ficção dentro do real
a fixação dentro de nós mesmos
O que faz a nossa essência?
Que me faz a mesma apesar de todas as metamorfoses.
Que identifica a lagarta dentro da borboleta
A pele sob a pele
O que mantem acesa a vela
O que faz com que eu me reconheça
Minha impressão digital de alma
Quem eu sou, ou acredito ser
Quem eu queria ser
Quem eu quizera fosse
O que me faz senão tudo o que eu penso
e tudo o que eu calo
As palavras que nascem no peito
e morrem na fala
Os erros que superam os acertos
As risadas, as máscaras
a impaciência que consome por dentro
a acertividade
o desarranjo
as peças que não se encaixam
que não se acham
e perdidas deixam o vão
o vazio no espaço
os arrependimentos
tudo o que eu disse sem pensar
tudo o que eu pensei e nunca disse
até que fosse tarde demais
até que já não existisse volta
o orgulho
o escudo que protege
a lança que fere
o humor
o escudo que protege
a lança que fere
o que sou eu senão as minhas palavras
nos olhos de quem lê
na boca de quem fala
o que sou eu senão as lembranças
na saudade de alguém
na memória de ninguém
o que sou eu senão o nada
mais um na multidão que vaga
o que sou seu senão a minha essência
o desejo de ser
de existir
de me consumir e explodir eternamente
de ter um sentido
de fazer sentido
o que sou eu senão eu mesma
e se nem eu sei
como poderiam os outros
quarta-feira, 13 de maio de 2009
tolerância
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo
O seu código de guerra
E a certeza que te cerca
Me fazem ficar atento
Não me importa a sua crença
Eu quero a diferença
Que me faz te olhar
De frente
Pra falar de tolerância
E acabar com essa distância
Entre nós dois
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar
Como lava no oceano
Um esforço sobre-humano
Pra recomeçar
Do zero
Se pareço ainda estranho
Se não sou do seu rebanho
E ainda assim
Te quero
É que o amor é soberano
E supera todo engano
Sem jamais perder
O elo
E é por isso que te espero
E já sinto a mesma coisa em seu olhar
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar
tolerância - ana carolina
faço as palavras dela, minhas.
