Essa noite tive um sonho incomum.
Eu matava alguém.
Okay, incomum para mim.
E a sua singularidade mora mais no fato de eu estar adormecida - considerando que, quando acordada, não se passa um dia sem que eu tenha volta de matar muitos zés e marias que cruzam descuidadamente o meu caminho.
Incomum porque matar não era difícil, não era um peso.
Era leveza.
Era liberdade.
Era não ter mais medo.
Nenhum homem pode entender os temores de uma mulher, - e eu não estou falando de ratazanas, baratas ou ficar pra titia - medos que não são deles e que curiosamente também não são meus.
É o medo proporcionado pela consciência de sua própria vulnerabilidade. Porque muitos homens passam a vida ignorando sua humanidade. Mas poucas mulheres fazem isso.
É o medo que faz a gente encolher quando passa por um grupo de rapazes no meio da noite em uma rua mal iluminada. Que faz respirarmos aliviadas quando finalmente cruzamos a esquina ou entramos no ônibus que nos levará para casa.
É o medo que incita a passividade ante a violência gratuita de uma degradação verbal e pública. O medo que se forma em máscaras sobre nossos rostos.
Mas eu não estou aqui para falar de medo.
Até porque, esse medo não existia mais no meu sonho.
Porque não existia mais a possibilidade de eu ser transformada em vítima apenas.
Não. Ali eu tomara as rédeas. Eu havia me tornado a ameaça.
E já não haviam mais barreiras.
De repente o mundo estava aberto, novo, irreconhecível.
O mundo era um lugar tão meu quanto de qualquer outra pessoa.
E eu podia andar de cabeça erguida, e isso se devia a um direito factual e não apenas suposto, idealizado, convencionado.
Agora veja bem, eu não sou uma pessoa violenta (conhecidos podem discordar, mas quando questionados poucos poderão lembrar de algum gesto violento meu - sob essa lente excluo o testemunho de meus irmãos).
Eu vivo pelas regras. Obedeço aos mandamentos com muito mais fidelidade do que muitos católicos (e nem batizada eu fui). Também vivo pelos meus próprios mandamentos que embora nem sempre sejam politicamente corretos (Who cares? Eu não estou angariando votos) também não justificam atos inomináveis.
Eu acredito em karma.
Então permitam-se extravasar o assombro que me proporcionou este sonho como uma realização de meu subconsciente.
Eu havia matado alguém.
Alguém que não era inocente - mesmo eu sempre tão insensível não tenho sangue-frio afinal de contas.
Alguém cuja ação prévia fizera com que (mentalmente) meus atos fossem justificados.
Mas principalmente, alguém que mais do que uma vítima minha (o poder contido nessa palavra ainda reverbera) fora capaz de destituir todo o sentido construído para que eu nunca tivesse cruzado essa linha.
Esse sonho me provocou assombro.
Eu sou uma pessoa de valores.
Eu me amarro a eles.
E me deixa intrigada de uma forma temerosa e desafiadora a possibilidade de que nada seja assim tão composto de certeza. Nem mesmo as minhas próprias certezas.
Eu posso ser ingênua por sequer acreditar nessas certezas. Mas se eu não for (ingênua), talvez eu não seja apenas mais uma possível vítima. Talvez eu venha a integrar o outro lado.
Meu medo não provém das fragilidades femininas (somente), mas da suscetibilidade humana.
Incrível o efeito que apenas um sonho foi capaz de provocar em mim.
Não foi sequer próximo de ser real.
Eu ainda me atenho a meus valores! (Um exclamação alivia a consciência nessas horas)
Talvez agora com mais força até, tendo em vista a suposta fragilidade da linha que não devo cruzar.
"Não assassinarás"
E talvez eu esteja exagerando.
Talvez eu ainda esteja impressionada
com Dexter ou Precisamos falar sobre Kevin
ou comigo mesma.
Mas prefiro o assombro à indiferença.
E é absolutamente impreterível que essa reação exista, permaneça.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Recharge
Eu queria falar sobre coisas que eu gosto
Coisas que acho bonitas
Das quais acho graça
Mas o mundo hoje está coberto de cinza - no sentido literal e des-figurado
e eu não sinto nada
nenhuma alegria para dividir
apenas um vazio
Não pela perda daqueles que se foram (somente)
e de quem eu nem era tão próxima assim (ainda sinto)
mas pelo espaço que deixaram (lamento)
apenas um vazio
Sinto o desperdício de vida
de talento
de possibilidades
sinto outras perdas novamente
porque toda perda é eterna
irrevogável e eterna
e é essa a razão do meu luto
Eu queria me desligar do mundo
ser egoísta - em último grau
assumir meu posto final
um muro impermeável
no qual a tinta pichada escorre
esbarra apenas
sem deixar marcas que a chuva não lave
Queria ser o personagem de uma das minhas histórias inacabadas,
com um mundo de possibilidades pela frente
e o conforto de uma borracha
apagando os erros de trechos que não deveriam ter sido escritos
Mas queria principalmente desabafar
Para seguir em frente
Seguir sempre
--Suspiro--
Cansada eu também fico
Mas não ouso desistir
É mais forte do que eu
Sou mais fraca do que isso
Minha bateria não morre (embora as vezes falhe, como hoje)
Estou pronta para recharge
=-
= =-
= = = -
Coisas que acho bonitas
Das quais acho graça
Mas o mundo hoje está coberto de cinza - no sentido literal e des-figurado
e eu não sinto nada
nenhuma alegria para dividir
apenas um vazio
Não pela perda daqueles que se foram (somente)
e de quem eu nem era tão próxima assim (ainda sinto)
mas pelo espaço que deixaram (lamento)
apenas um vazio
Sinto o desperdício de vida
de talento
de possibilidades
sinto outras perdas novamente
porque toda perda é eterna
irrevogável e eterna
e é essa a razão do meu luto
Eu queria me desligar do mundo
ser egoísta - em último grau
assumir meu posto final
um muro impermeável
no qual a tinta pichada escorre
esbarra apenas
sem deixar marcas que a chuva não lave
Queria ser o personagem de uma das minhas histórias inacabadas,
com um mundo de possibilidades pela frente
e o conforto de uma borracha
apagando os erros de trechos que não deveriam ter sido escritos
Mas queria principalmente desabafar
Para seguir em frente
Seguir sempre
--Suspiro--
Cansada eu também fico
Mas não ouso desistir
É mais forte do que eu
Sou mais fraca do que isso
Minha bateria não morre (embora as vezes falhe, como hoje)
Estou pronta para recharge
=-
= =-
= = = -
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Insight
Acabei de perceber que o post anterior não tinha nada haver com o que eu havia planejado postar.
hum.
Eram dois possíveis tópicos.
E no final, não saiu nenhum.
E eu acabei falando sobre nada, mais uma vez.
Falar sobre nada é mais fácil do que falar sobre tudo.
Seinfeld/
hum.
Eram dois possíveis tópicos.
E no final, não saiu nenhum.
E eu acabei falando sobre nada, mais uma vez.
Falar sobre nada é mais fácil do que falar sobre tudo.
Seinfeld/
Hiatus
Então aqui estou eu, após um longo tempo que pode ser considerado um hiatus - Para quem desconhece, um termo de quem é viciado em séries (Moi).
Pouca coisa aconteceu desde o meu último post.
Ou talvez muitas coisas tenham acontecido e quando vi já tinha passado tanto tempo que eu nem me lembro mais o que pertencia ao antes e o que veio depois.
As vezes isso acontece quando reencontro velhos amigos.
Amigos que não vejo há muito tempo.
E cujas novidades já ficaram velhas, e portanto, quando eu pergunto
"What's up?"
Já tá tudo lá embaixo. Enterrado, esquecido.
Além disso minha memória não é das melhores.
Tenho sérias dificuldades para distinguir os dias que passaram.
E também tem outro fator: eu realmente faço questão de histórias bem contadas.
Detalhes.
Descrições beirando a neurose de um perfeccionista virginiano.
Preciso de uma descrição completa dos personagens, do contexto, da situação.
Quem foi? Como Foi? Não me satisfaz
Preciso saber os signos, o clima, pintar a imagem, a paisagem.
Tá. Não preciso realmente.
Mas gosto.
E tem as vezes em que até aconteceu algo realmente grande, importante.
Mas é pesado demais para ser recordado.
E o tempo passou.
E já não vale a pena desenterrar o fato.
Assim encontro velhos amigos e eles me perguntam: "E aí? Quais as novidades?"
E eu paro, penso em todos os fatores já mencionados e respondo: "Zero. Nada. Same Old."
E eles provavelmente pensam "que tédio."
Mas tudo bem.
Não posso dizer que discordo.
Às vezes eu penso isso também.
Pouca coisa aconteceu desde o meu último post.
Ou talvez muitas coisas tenham acontecido e quando vi já tinha passado tanto tempo que eu nem me lembro mais o que pertencia ao antes e o que veio depois.
As vezes isso acontece quando reencontro velhos amigos.
Amigos que não vejo há muito tempo.
E cujas novidades já ficaram velhas, e portanto, quando eu pergunto
"What's up?"
Já tá tudo lá embaixo. Enterrado, esquecido.
Além disso minha memória não é das melhores.
Tenho sérias dificuldades para distinguir os dias que passaram.
E também tem outro fator: eu realmente faço questão de histórias bem contadas.
Detalhes.
Descrições beirando a neurose de um perfeccionista virginiano.
Preciso de uma descrição completa dos personagens, do contexto, da situação.
Quem foi? Como Foi? Não me satisfaz
Preciso saber os signos, o clima, pintar a imagem, a paisagem.
Tá. Não preciso realmente.
Mas gosto.
E tem as vezes em que até aconteceu algo realmente grande, importante.
Mas é pesado demais para ser recordado.
E o tempo passou.
E já não vale a pena desenterrar o fato.
Assim encontro velhos amigos e eles me perguntam: "E aí? Quais as novidades?"
E eu paro, penso em todos os fatores já mencionados e respondo: "Zero. Nada. Same Old."
E eles provavelmente pensam "que tédio."
Mas tudo bem.
Não posso dizer que discordo.
Às vezes eu penso isso também.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Amém!
Após minha primeira aula de boxe e a impossibilidade de esticar meu braço no dia seguinte, bem como a descoberta de um músculo nas costas quando movimento o braço direito, desenvolvi a seguinte teoria:
Deus quer que a gente seja gordo.
Primeiro Argumento: A reprodução.
Deus quer que a gente - os seres vivos - se reproduza.
Perpetuação da espécie ou o que for... Por isso ele fez com que o ato em si fosse prazeroso.
Porque se fosse uma coisa horrenda e absurdamente dolorosa - tipo tortura, ou uma ida ao dentista - as chances de que isso fosse feito com frequencia seriam tão grandes quanto... quanto uma ida ao dentista é. Provavelmente até menor.
Segundo Argumento: Comer, comer.
Porque comer é sempre prazeroso também...
Na verdade, para muitos, comer bem é uma das poucas coisas realmente boas da vida.
Principalmente as comidas mais calóricas e menos saudáveis.
Mas fazer ginástica... não só não é prazeroso, como dói.
Pra caralho.
Tipo quando você se queima, e dói pra caralho.
Sinal Divino.
Então toda essa dor que sinto agora é por ter desobedecido os desejos de Deus.
"Minha filha não faça isso"
E continuar me forçando a isso é tipo colocar a mão no fogo uma vez por semana pelo menos.
Posso até acabar no inferno.
Terceiro e último Argumento: A sabedoria do Pai.
Se Ele não quisesse que a gente comesse bem, não teria transformado água em vinho e multiplicado os pães...
Ele teria simplesmente substituído os carboidratos por uma saladinha light de alcelgas e cortado a água porque, aparentemente, beber durante as refeições "dá barriguinha";
Logo, esse papo de saúde e músculos é coisa dos homens.
Armadilha de Satanás.
SE atividades físicas fossem para o bem da humanidade... nós teríamos orgasmos após uma sessão de exercícios e não a impressão de termos sido atropelados por uma jamanta desgovernada.
Conclusão?
Ginástica é para os homens de pouca fé.
Deus quer que a gente seja gordo.
Primeiro Argumento: A reprodução.
Deus quer que a gente - os seres vivos - se reproduza.
Perpetuação da espécie ou o que for... Por isso ele fez com que o ato em si fosse prazeroso.
Porque se fosse uma coisa horrenda e absurdamente dolorosa - tipo tortura, ou uma ida ao dentista - as chances de que isso fosse feito com frequencia seriam tão grandes quanto... quanto uma ida ao dentista é. Provavelmente até menor.
Segundo Argumento: Comer, comer.
Porque comer é sempre prazeroso também...
Na verdade, para muitos, comer bem é uma das poucas coisas realmente boas da vida.
Principalmente as comidas mais calóricas e menos saudáveis.
Mas fazer ginástica... não só não é prazeroso, como dói.
Pra caralho.
Tipo quando você se queima, e dói pra caralho.
Sinal Divino.
Então toda essa dor que sinto agora é por ter desobedecido os desejos de Deus.
"Minha filha não faça isso"
E continuar me forçando a isso é tipo colocar a mão no fogo uma vez por semana pelo menos.
Posso até acabar no inferno.
Terceiro e último Argumento: A sabedoria do Pai.
Se Ele não quisesse que a gente comesse bem, não teria transformado água em vinho e multiplicado os pães...
Ele teria simplesmente substituído os carboidratos por uma saladinha light de alcelgas e cortado a água porque, aparentemente, beber durante as refeições "dá barriguinha";
Logo, esse papo de saúde e músculos é coisa dos homens.
Armadilha de Satanás.
SE atividades físicas fossem para o bem da humanidade... nós teríamos orgasmos após uma sessão de exercícios e não a impressão de termos sido atropelados por uma jamanta desgovernada.
Conclusão?
Ginástica é para os homens de pouca fé.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quem não tem medo
Quem não tem medo de acordar e perceber que sua vida nem começou, ou que pior, já está acabando?
Perceber que os sonhos ficaram aonde estavam - sendo apenas sonhos
e que nada de significativo que foi feito no mundo leva seu nome
Perceber que as histórias que contamos não tem assim tanta graça como achávamos
E que as pessoas das quais lembramos estão agora tão longes... vivendo o presente, enquanto você vive o passado.
Quem não tem medo de arriscar e perder o pouco que tem?
E de perceber que na vida, arriscou pouco e perdeu muito mais por isso.
Perder ou Ganhar
Talvez não no mesmo jogo que os outros jogam, mas naquele ao qual você se propôs a jogar.
Aquela corrida cuja a linha final não é a de chegada, mas a de saída.
O persistir em algo que fuja ao convencional e se depare com o idealizado.
Persistir nos sonhos.
Persistir na vida.
Porque a inércia cria a ilusão de movimento.
Mas não chegar a algum lugar específico as vezes é a mesma coisa do que chegar em lugar nenhum, do que não sair do lugar.
Porque apenas competir pode até contar, mas não te realiza.
E não te faz sentir vivo.
Não te faz sentir nada.
Quem não tem medo de acordar
e perceber que já está morto?
Perceber que os sonhos ficaram aonde estavam - sendo apenas sonhos
e que nada de significativo que foi feito no mundo leva seu nome
Perceber que as histórias que contamos não tem assim tanta graça como achávamos
E que as pessoas das quais lembramos estão agora tão longes... vivendo o presente, enquanto você vive o passado.
Quem não tem medo de arriscar e perder o pouco que tem?
E de perceber que na vida, arriscou pouco e perdeu muito mais por isso.
Perder ou Ganhar
Talvez não no mesmo jogo que os outros jogam, mas naquele ao qual você se propôs a jogar.
Aquela corrida cuja a linha final não é a de chegada, mas a de saída.
O persistir em algo que fuja ao convencional e se depare com o idealizado.
Persistir nos sonhos.
Persistir na vida.
Porque a inércia cria a ilusão de movimento.
Mas não chegar a algum lugar específico as vezes é a mesma coisa do que chegar em lugar nenhum, do que não sair do lugar.
Porque apenas competir pode até contar, mas não te realiza.
E não te faz sentir vivo.
Não te faz sentir nada.
Quem não tem medo de acordar
e perceber que já está morto?
quinta-feira, 2 de julho de 2009
old enough
tem essa música do grupo The Raconteurs
que não é meu estilo
mas que eu gosto demais
"You look pretty in your fancy dress
But I detect unhappiness
You never speak so I have to guess
You’re not free. (...)
(...) When I was young I thought I knew
You probably think you know too
Do you? Well do you?
I was naïve just like you
I thought I knew exactly what I wanted to do
Well, what’s you gonna do?
And how have you gotten by so far
Without having a visible scar?
No one knows who you really are
They can’t see"
cicatrizes e máscaras
aquilo que se cala
mas que consiste em ser
humano,
alguém.
que não é meu estilo
mas que eu gosto demais
"You look pretty in your fancy dress
But I detect unhappiness
You never speak so I have to guess
You’re not free. (...)
(...) When I was young I thought I knew
You probably think you know too
Do you? Well do you?
I was naïve just like you
I thought I knew exactly what I wanted to do
Well, what’s you gonna do?
And how have you gotten by so far
Without having a visible scar?
No one knows who you really are
They can’t see"
cicatrizes e máscaras
aquilo que se cala
mas que consiste em ser
humano,
alguém.
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